sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Registro de Viagem à Costa do Marfim: Relato XXIII - Surpreendente AFCO




Registro de Viagem: Costa do Marfim

Relato XXIII – Surpresinhas AFCO e o Trabalho Estúpido – 04 e 05 de Fevereiro

Como não podia deixar de ser, a AFCO me surpreende a cada dia que passa. O Sr Happy redigiu um aviso, imprimiu e botou lá na recepção da empresa. O aviso era para informar o descontentamento do chefe com as reclamações que ele ouviu da administração do edifício: os zeladores flagraram funcionário AFCO urinando na garagem do subsolo. Não somente, ontem, dia 04, estando eu compenetrado em procurar algo produtivo pra fazer por aqui, o telefone da saleta toca e um dos caras que trabalham no andar de baixo, Keskelys, fala em inglês comigo. Não entendo bulhufas do inglês dele e digo que pode falar em francês mesmo. Ele queria saber qual era a tradução para uma certa palavra. Peço para que soletre e ele diz: D-I-C-K-S. Bem, dicks, em inglês, é o plural de dick, que é coloquialismo vulgar para “pênis”. Escolhi dar ao meu colega o benefício da dúvida e desci para saber exatamente o que ele queria que eu traduzisse. Desci e vi que ele estava num bate-papo num computador em que um cara lhe perguntava: “é verdade que os africanos têm dicks maiores do que nós, europeus?”Mais uma amostra do rendimento dos nossos funcionários!

A AFCO nunca nos deixa de surpreender, seja pela completa falta de produtividade, seja pela má gestão ou seja pelos estranhos bate-papos em que seus funcionários passam o dia inteiro. O estado da estrutura do patrimônio do local também me surpreendeu agora há pouco. Minha débil cadeira finalmente quebrou. Fui pegar outra cadeira, sentei e levei um tombo, batendo até minha cabeça contra a estante de metal atrás de mim: sua perna traseira esquerda estava danificada. Estando todas as outras cadeiras ocupadas e meu galo na nuca latejando, entrei na sala do chefe, interrompi a reunião e informei das cadeiras. Ele disse que era só eu ir atrás de uma e exigiu que eu mostrasse mais pro-atividade. “Chefe, você não entendeu, eu vim aqui justamente para pegar sua cadeira.” Ele consentiu e peguei a cadeira do birô dele (ele estava sentado na mesa de reunião com o outro sujeito). Agora, tenho uma cadeira confortável e macia, mas grande demais para a saleta. Não estou nem aí! Mexi umas coisinhas pra cá e outras pra lá. Passarei minha última semana de trabalho (a próxima) sentado em grande estilo!

A cadeira de grande estilo se fará necessária na próxima semana, pois começamos um trabalho manual estúpido que vai exigir minha permanência na cadeira o dia todo. Uma empresa reclamou que nossos entregadores não faziam as entregas de suas encomendas apropriadamente. Fomos averiguar a situação e eis que o motivo é bem simples: os destinatários das encomendas não existem nos endereços listados pela empresa remetente. Poxa, se nem eles têm dados precisos dos próprios clientes, por que raios teríamos nós? Nossa única função é levar a entrega/fatura/conta até o endereço informado. Mas tudo bem, legal que o Sr Happy é, ele nos pôs à disposição para atualizar a lista de endereços! Êêêêêêê! O que ele esqueceu, contudo, é que a organização urbanística de Abidjan é ridiculamente primitiva e ele prometeu que nós forneceríamos dados que nem o governo daqui tem. Vou te contar, viu.

Estou agora com uma lista de 800 clientes, buscando na internet um número de telefone que seja para poder ligar pro pessoal e pedir a localização geográfica da empresa. Como se diz no Ceará, isso é trabalho de corno. Qualquer semi-analfabeto poderia fazer isso. Não precisavam de um estudante universitário. Mas tudo bem, quando chegar a hora de estagiar, mencionarei na entrevista que sou proficiente em todas as atividades típicas do estagiário: ir ao banco, comprar pão, fazer fotocópias e realizar trabalhos manuais que macacos treinados poderiam executar. Ninguém me segura!

Bem, terminei a lista provisória que é para ser entregue hoje ao meio-dia. Terminei meia hora antes do prazao e já despachei com um dos rapazes para ir lá na empresa entregar o que nós temos. Eu duvido muito que eu vá terminar os 800. Simplesmente não há informação sobre nada aqui. Bem, é minha última semana e eu estou com a cabeça mais na viagemd e volta do que fazer serviço pro Sr Happy.

Abraços a todos e que Deus os abençoe.

« J'ai vu tout ce qui se fait sous le soleil; et voici, tout est vanité et poursuite du vent. » Ecclésiaste 1 :14

PS: A foto com a gravata curta foi o dia em que eu decidi ir pro trabalho com a gravata à moda africana.

4 comentários:

Daniel e Gláucia disse...

Ainda bem que não se machucou sério com a queda. O bom foi ter ganho uma cadeira de rei para realizar todo esse trabalho "difícil". Ah, você pode lançar essa moda por aqui, que tal? Curta o restante de seu intercâmbio com tranquilidade. Te amo!

Mafiusus disse...

Rapaz, essa empresa parece que até saiu de uma redação de programa humorístico,kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. O Sr. Happy Happy parece uma entidade zulu, empregado que fica em chat gay, funcionário mijando, e fora ä moda da gravatinha que parece que caiu tão bem no Natan. hauhauhauahuahuha. Abraços, nobre amigo.

Natan Cequeira disse...

Pidos, tranquilidade é tudo o que quero!

Mafioso, essa empresa é uma comédia! Passo o dia rindo das coisas aqui! haha

Ligia disse...

Agora vai trabalhar de verdade, né lindo? rs
Que bom que está acabando, amor, daqui a pouco vc estará aqui e vai rir mais ainda de tudo isso!
Te amo muito!